A Capoeira da esperança.

02/06/2015 14:08
Jairo Junior *

 A Capoeira está em intensa atividade no Brasil, são sete milhões de adeptos praticantes espalhados pelo país, mas só em São Paulo, vivem, trabalham e jogam, um milhão destes.


Nunca na história da capoeira houve um debate tão intenso e participativo. A presença dos recursos das redes sociais e internet embora atinjam ainda uma pequena parcela da comunidade, hoje é uma ferramenta de interação importante. Mesmo que por vezes utilizadas por uma minoria que procura atrasar o processo e virar para trás a roda da história, segue as redes sociais, jogando um papel importante na divulgação das coisas boas e não tão boas para o debate e para a Capoeira.

O movimento Congresso Nacional Unitário de Capoeira (CNUC), surgido em 2002, quando do avanço das forças progressistas no país que culminou com a vitória do primeiro Presidente operário da história. Este movimento surgido em São Paulo, logo se espalhou pelo país e realizou em 2003 o memorável I Congresso Nacional Unitário de Capoeira, que reuniu cerca de 1.000 Mestres e graduados, alunos e adeptos da arte de origem africana. Aquele evento fez florescer uma consciência latente sobre a necessidade de construir uma unidade ampla e respeitosa entre as várias lideranças e correntes de atuação no seio da pujante Capoeira.

Hoje este movimento que atua sob a égide da coexistência pacifica e ordeira, respeitosa e tolerante entre os Capoeiristas segue a passos largos para realizar o seu terceiro Congresso Nacional.

Definiu como pauta a elaboração de propostas visando uma Política Pública de Estado para a Capoeira. Uma política que garanta sua prática plural e inclusiva, que incentive sua conformação e fomente sua ação. A Capoeira, se bem orientada, é o maior e mais completo instrumento de inclusão social que o nosso povo produziu. Seja como arte, atividade cultural ou esporte, mobiliza milhões pelo mundo. O Congresso debate tais questões tendo por base a compreensão da necessidade de se regulamentar uma lei que existe desde 2010. São cinco anos que ele ficou esquecida, pelos governantes e pelas elites. Nós falamos do Estatuto da Igualdade Racial, a lei 12.288/10, ela define com nitidez as responsabilidades do estado brasileiro para com a Capoeira. Lá apresenta vários artigos, seções e capítulos que contemplam a atividade capoeiristica em sua plenitude multifacetada.

Mas a elite branca do nosso país e seus capitães do mato insistem em fingir que nada existe. Insistem em iludir aqueles que são os beneficiários diretos da maior conquista recente da população negra e sua cultura.

Intelectuais que representam o seguimento dos “de cima” fingem dar de ombros para o debate. No fundo tais condutas revelam o desprezo daqueles que se acham os melhores para com a grande maioria de negros, negras, pobres e nordestinos que praticam a Capoeira.

A luta dos Capoeiristas consciente será grande. Encontrarão pela frente um inimigo ardiloso, experiente e capaz. Mas tudo leva a crer que a verdade e a justiça triunfarão. São quase 2.000 Mestres e graduados envolvidos no processo amplo e unitário do terceiro Congresso Nacional.

Cada um destes pode ter em média cerca de cem alunos e/ou discípulos o que eleva o contingente para quase duzentos mil capoeiristas envolvidos. Se a comunidade e suas lideranças forem capazes de superar os vários obstáculos de ordem subjetiva que terão pela frente e também superar a realidade adversa que por ora beneficia os conservadores e a direita no país, terá uma vitória histórica mundialmente importante.

As ações de pequeno núcleo de direita que faz oposição a tais ideias e compromissos, buscam, na Capoeira assim como na luta política do país, aproveitarem as situações difíceis que enfrentamos para transferir ao movimento conduta e posturas que ocorrem em outras áreas da política em nosso país.

Primeiro tentam desmoralizar lideranças autênticas, depois fazem conluios com setores do estado brasileiro, ainda racista e fisiológico e por fim destilam ódio e veneno baseado no mais profundo preconceito, racismos e xenofobia regional. Usam as artimanhas das elites escravistas e excludente do nosso país até porque destruir é bem mais fácil que construir.

Apelam e jogam com a vaidade característica de vários que se acham lideres da comunidade e assim difundem e estimulam confusão que precisará ser enfrentada com coragem, capacidade, inteligência, amplitude, paciência e firmeza.

Considero que a oportunidade é singular, o momento é impar porém o desfecho dependerá do lado que vencer a peleja. Ou a Capoeira rompe com seus vícios e contra cultura e segue rumo a afirmação definitiva ou afundará no lodo daqueles que usufruem de forma oportunista de migalhas doadas pelos governos seja estaduais e municipais e se constituem artificialmente em “defensores” do status quo.

Aos que resistem terão a honra de presenciar o futuro. A unidade é a bandeira da esperança!

Unir, resistir, lutar e reagir é o que a Capoeira precisa.



 

* Presidente Associação Brasil Angola (AABA); Diretor do Centro Cultural Africano (CCA); Coordenador do Congresso Nacional de Capoeira (CNC)

 


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